Calhau ( Versão do Diretor)
Ouvindo o que vê
Visão, audição, tato, olfato, paladar. Os tais cinco sentidos que nos falavam os livros de ciências da sexta série. Para cada sentido, uma percepção relacionada diretamente a uma parte do corpo humano. Mas sem qualquer correlação entre si, correto? Errado. Com a palavra, a jornalista Karina Ferreira Namorada de Galo: "Aquela música do Depeche Mode, Enjoy The Silence, me lembra a cor roxa, por que eu não sei. Sempre notei essa sensação". O Giro Cultural, sabido que é, explica a Karina o porquê. Karina, você precisa ser forte. Seu quadro clínico é sinestesia.
A madame Ferreira sofre do mesmo mal que cada um dos chamados seres humanos devem ter passado um dia, quiçá, diariamente. Sinestesia, segundo o ‘pai dos burros’, é um substantivo feminino relativo à psicologia que significa: Relação subjetiva que se estabelece espontaneamente entre uma percepção e outra que pertença a um domínio de um sentido diferente. Simplificando: uma mistura de sensações. Coisas do tipo, ler um texto e lembrar de um desenho, sentir um cheiro e lembrar da festa da semana passada, ouvir uma música e pensar em alguém, tocar nesse alguém e lembrar de outro alguém... ops! Mas tudo isso é absolutamente normal, para não dizer sensacional.
O que seria dos escritores sem este ‘curto-circuito’? Fala aí Mr. João Guimarães Rosa: "A vista-se o grito das araras." Sua vez, Alphonsus de Guimarães: "Tem cheiro a luz da manha nasce .../ Oh sonora audição colorida do aroma". Bendita Sinestesia.
A sinestesia tem o poderoso poder de promover um consultor de informática a poeta em segundos.
Quando ouço techno...
Lembro do cheiro de fumaça
Do gosto do whisky
Da textura de beijo na boca no escuro
Vontade de dançar e esquecer mundo
Do cheiro de perfume no pescoço
Da voz suave e molhada no ouvido
(Jorge Serrano, ex- ‘consultor de informática’ )
Escreveríamos uma ‘bíblia’ se fôssemos exemplificar cada inusitada sensação causada por este devaneio apelidado de sinestesia, como o relato da estudante de administração Sarah Valença: "Eu tinha uns 10 anos e quando eu ouvia a vinheta do Bom Dia Brasil, chega dava um frio na barriga, uma tristeza. Pois era meu pai assistindo TV na sala, esperando eu e minha irmã nos arrumarmos pra nos levar para escola". Mas como nosso tempo é curto, deixemos esta prosa para uma outra ocasião.
Até porque, a sinestesia que age neste exato momento sobre este humilde estagiário não é muito interessante, a cada letra digitada lembro da expressão fechada da minha chefa cobrando este texto que deveria está pronto desde a semana passada. Maldita sinestesia
Versão para o publico com direito a fotinhas: www.girocultural.pe.gov.br
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