Vou e não Voto

o relato de weferson overlock

Domingo, Setembro 26, 2004

O Manguepólio do Monobeat

Uma pergunta. Por onde andará o clichê da pernambucanidade? Primo daquele: Pernambuco tem dez letras e nenhuma se repete. Se duvidar, virou pauta de pesquisa dos ufólogos, tipo: Mistérios Espaciais. Ou está sob a tutela dos estudiosos do folclore nacional, mas não como: o mito. Como a lenda mesmo. A lenda multicultural do Brasil- Terra de um hype só.

É bem verdade que o manguebeat teve e, ainda tem sua importância, e que por isso comemora-se este ano sua primeira década. Mas é bem mentira a doutrina da diversidade. Falar em cena musical recifense e gasolina à r$ 2,15, é pleonasmo. Gêmeo de monopólio.

Depois da especiaria maracatu, o “prato” de todos os dias é: Crustáceo à Samba-Rock. Sobremesa: Casquinho de Blackpopmusic. Ô da cozinha, olha o serviço! Mesmo tempero enjoa! Apostinha que na garagem do seu vizinho tem alguém fazendo um som honesto?

Uma brincadeira. Digamos que a Nação Zumbi, num momento de surto, resolva fazer uma parceria com a Calcinha Preta. Pronto, Recife barganharia de vez o título de Capital Nacional do Brega. Ou ainda, se o Mundo Livre começasse a tocar hardcore seriamos o maior pólo Camisa Preta do país. Dizem que toda brincadeira tem um fundo de verdade, não é? Outro fundo de verdade: caranguejo que é caranguejo anda em marcha ré. Já os “privilegiados com cérebro” conseguem, pelo menos, passar a primeira. Recado aos desavisados: ao sair de casa favor não esquecer a personalidade.

No meu medíocre entendimento, aquela “alienação”, que veste a carapuça dos “discriminados” forrozeiros, bregueiros e pagodeiros é a mesma que serve aos mangueboys. Então, agente aproveita o ensejo e cria um novo bordão para singularizar os dez anos do manguebeat: Pernambuco Multicultural tem seis letras e nenhuma se repete.
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